Rei e Rainha de Copas: amor e o atendimento a pessoas idosas
Entenda a diferença entre Rainha e Rei de Copas e como atender pessoas idosas que perguntam sobre amor e sexo sem infantilizá-las nem impor as expectativas da família.
Rei e Rainha de Copas são as expressões maduras do naipe de Copas. Para compreendê-los, porém, não basta decorar que uma carta representa uma mulher e a outra, um homem. Também não basta associá-los automaticamente a pessoas mais velhas. É preciso entender como cada figura vive o elemento de Copas e qual é o tamanho de sua responsabilidade dentro desse universo.
Essa diferença ajuda a interpretar as cartas e também a pensar numa questão importante para quem atende profissionalmente: como receber uma pessoa idosa que quer falar de amor, sexo, namoro, casamento, ciúme ou solidão? Foi atendendo pessoas mais velhas que percebi o quanto as nossas próprias referências podem atrapalhar uma consulta.
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Esta aula sobre Rei e Rainha de Copas e amor na terceira idade foi disponibilizada aos leitores do Blog do Profe. Se você prefere acompanhar a explicação em vídeo, assista à aula abaixo.
Nesta aula, disponibilizada aos leitores do Blog do Profe, Profe’ Wayner Lyra explica as diferenças entre Rainha e Rei de Copas e fala sobre o atendimento amoroso de pessoas idosas.
Do Pajem e do Cavaleiro à Rainha e ao Rei de Copas
Antes de chegar ao Rei e à Rainha, vale lembrar a diferença entre o Pajem e o Cavaleiro de Copas.
O Pajem de Copas quer receber amor
O Pajem ainda está aprendendo a amar. É aquela fase de escrever “eu te amo” em folhas de caderno, dividir o nome em letras para descobrir se “ama, adora, odeia, nem quer saber” e guardar papéis de carta.
Ele quer receber amor, atenção e carinho. Quer colo, conchinha e ideal romântico. É a expressão receptiva do naipe com a imaturidade da figura do Pajem.
O Cavaleiro de Copas quer fazer o amor acontecer
O Cavaleiro já quer fazer o amor acontecer. Quer dar proteção, conchinha, beijo e abraço. Ele se movimenta em direção ao afeto. Enquanto o Pajem quer receber, o Cavaleiro quer dar. Os dois são de Copas e querem amar e ser felizes, mas expressam polaridades diferentes.
Essa distinção continua nas figuras maduras. A Rainha porém, mantém uma natureza receptiva; o Rei, uma natureza ativa. A diferença não está apenas na idade ou no gênero, mas na forma de atuação de cada carta e no alcance de sua responsabilidade.
A Rainha de Copas cuida do amor
A Rainha é a expressão feminina e madura do naipe. Se imaginarmos o Pajem crescendo, ele já não está com o nome da pessoa amada escrito na capa do caderno como na época da adolescência. Viveu relações, acumulou experiências e aprendeu o que é amar.
Todas as Rainhas trazem amorosidade, sensibilidade, doçura e cuidado. Copas, por sua vez, é o próprio amor. A união dessas duas qualidades faz da Rainha de Copas a mulher do Tarot que mais ama. Sua força está no amar.
Ela cuida daqueles que ama e cuida dos sentimentos. Na imagem do Tarot de Smith-Waite, está diante do mar, olhando para as águas. Ela lembra. Ela sente. Copas traz lembranças e memórias; o passado permanece próximo. Por isso, a Rainha de Copas pode amar com profundidade, mas também pode sofrer intensamente.
Em seu aspecto positivo, ela ouve, procura compreender e tenta ajudar. Em seu aspecto negativo, antes de ouvir o outro, entra no próprio drama.
Por exemplo, se alguém pede aumento de salário a uma chefe representada pela Rainha de Copas positiva, ela quer saber o que está acontecendo e como pode colaborar com você naquele momento. Ela é empática. A Rainha negativa, por outro lado, transforma o pedido no sofrimento dela: fala do quanto trabalha, do quanto se esforça e de tudo o que já fez e que provavelmente ninguém nunca a reconhece. Ela vai dizer que sofre mais do que você.
A mesma capacidade de sentir que permite à Rainha amar profundamente pode, no negativo, levá-la à sofrência e ao drama. A carta precisa ser interpretada conforme a pergunta, sua posição no jogo e as cartas que estão ao redor.
O Rei de Copas governa o oceano
O Rei representa a força ativa. É quem protege o reino, lidera exércitos e precisa agir. No Rei de Copas, porém, essa natureza ativa se encontra com um naipe receptivo. Ele é bondoso, terno e amoroso, mas precisa governar.
Se fosse para a guerra, entraria pedindo licença e dizendo que não quer machucar ninguém. Suas batalhas seriam contra a fome, o abandono, as lágrimas e as dores. Ele busca a caridade, o bem, a misericórdia e a igualdade entre as pessoas.
No Smith-Waite, a diferença aparece no próprio campo de ação das figuras. O Pajem está de costas para o mar, preocupado com o peixe dentro da taça. O Cavaleiro atravessa um pequeno rio. A Rainha olha para o oceano. O Rei está no oceano.
O tamanho da água mostra o tamanho da responsabilidade. O Rei de Copas positivo responde pelo reino inteiro. Por isso, embora queira ser bom, ele também precisa ser forte. Se o Rei cai, cai um oceano junto.
No aspecto negativo, essa bondade pode virar falta de reação. Ele não enfrenta, não se mexe e deixa tudo para depois. No mesmo exemplo do pedido de aumento, o Rei positivo procura entender a pessoa inteira: quer saber por que ela precisa do aumento, se está conseguindo pagar suas contas e como se sente no trabalho. O Rei negativo responde que vai falar com o setor responsável, mas nada acontece. Quando cobrado, é capaz de responder que o aumento virá “quando o segundo sol chegar”.
Qual é a diferença entre a Rainha e o Rei de Copas?
A Rainha de Copas é receptiva e volta sua força para dentro. Ela olha para o oceano, ama, lembra e cuida dos sentimentos. O Rei de Copas tem natureza ativa, mas atua por meio de um elemento receptivo. Ele está dentro do oceano e precisa movimentá-lo, proteger o reino e responder por uma extensão maior.
Os dois representam maturidade no naipe de Copas. Essa maturidade, contudo, não transforma as cartas em pessoas perfeitas. A Rainha pode cair no drama. O Rei pode não reagir. Toda carta precisa ser lida em suas possibilidades positivas e negativas.
Também não estou falando de uma regra de idade. Uma pessoa idosa não precisa ser representada pelo Rei ou pela Rainha, assim como essas figuras não precisam indicar pessoas idosas. A maturidade das cartas diz respeito ao grau de experiência e responsabilidade dentro do naipe.
O que aprendi atendendo pessoas idosas
A consulente de cabelo lilás
Quando eu ainda tinha vinte e poucos anos e estava começando nos atendimentos, recebi uma senhora de aproximadamente 60 ou 70 anos. Ela tinha mais ou menos, na época, a idade da minha avó e usava o cabelo lilás.
Minha referência de avós era muito forte: “bença, vó; bença, vô”. No meio da consulta, porém, aquela mulher começou a falar sobre o homem com quem estava saindo. Ela tinha tido marido, filhos e uma vida já toda construída, mas queria saber se estava acertando nessa nova relação em pelos 60+. Contou que estava descobrindo uma nova versão de si, havia comprado lingerie nova e queria conversar sobre sua vida sexual.
Quem ficou roxo fui eu.
Na realidade, ela era elegante como o lilás da lavanda. E eu era o bobo inexperiente.
Vinte minutos depois, ainda constrangido com o assunto, estava falando com ela sobre lubrificação, consulta ginecológica e os cuidados necessários. Quando o atendimento terminou, percebi que aquele constrangimento não era bom para a consulta. Depois, diante de outras pessoas mais velhas, tive dificuldades parecidas.
Foi assim que comecei a entender que atender pessoas idosas exige do mais jovem a habilidade de abandonar algumas referências prontas. Acho essencial a gente começar a combater o etarismo.
Separei aqui para você um artigo bem legal para você começar a ler mais sobre esse assunto, o Etarismo. Leia mais aqui.
E é preciso lembrar uma coisa muito simples: avôs e avós não viraram avôs e avós sem fazer amor, não é mesmo? Não sejamos hipócritas. Somos todos adultos!!! E isso que é importante! Esqueça expressões debochadas como "vou atender um senhorzinho". Não! Ele é um cliente. E a idade dele é contexto. Simples assim. Da mesma forma que devemos entender o atendimento contextualizado para jovens.
O atendimento que mudou minha postura
Outra consulente foi levada pela filha. Na época eu já não era mais o tarólogo iniciante do atendimento anterior. Ela, a consulente, já não enxergava muito bem. Ela só me escutava e não me olhava diretamente. Porém, ela queria saber tudo da sua vida amorosa. Contou que havia se envolvido com um homem que pegou suas reservas financeiras e depois descobriu que ele era casado. Era um homem reconhecidamente mau caráter.
Eu imaginei que ela quisesse saber como recuperar o dinheiro ou resolver o prejuízo. Perguntei por onde gostaria que começássemos e como eu poderia ajudá-la. A resposta foi outra: ela queria saber se encontraria um novo amor. Quando perguntei se o que havia acontecido ainda lhe causava sofrimento, respondeu que não. Ela tinha gostado da experiência e disse: “Tem coisa mais importante nessa vida.”
Se o tarólogo pensa apenas a partir da própria referência, não consegue entender a cabeça daquela pessoa. Em diferentes momentos da vida, preocupamo-nos com coisas diferentes. Por isso, é preciso ouvir qual orientação o consulente procura, em vez de decidir antecipadamente o que deveria ser importante para ele.
Quando a filha perguntou se eu havia colocado "juízo na mãe", expliquei que o atendimento era da mãe. Eu não poderia dizer: “A senhora já não tem idade para se apaixonar.” A filha estava preocupada e precisava aprender a lidar com a situação. Eu recomendei para a filha uma consulta. Aí sim, eu poderia ajudar a filha a lidar com sua mãe. Atendimento não é "bronca" e nem castigo de ninguém.
Trate a pessoa idosa de igual para igual
No atendimento, não trate automaticamente a pessoa como “senhorinha”, “fofinha” ou “bonitinha”. Chamar alguém pelo nome pode mudar completamente o tom da conversa. Não infantilize o idoso.
Se você não souber o que fazer, pergunte: “O que você gostaria que eu visse?”, “Qual é a sua dúvida?” ou “O que você quer saber exatamente?”. Quem tem 20, 30 ou 40 anos dificilmente conseguirá adivinhar o que uma pessoa muito mais velha procura, a menos que pare para ouvi-la de verdade, com atenção genuína.
Uma pessoa idosa tem o direito de amar, fazer sexo, gozar, ser amada, sofrer e perguntar sobre tudo isso. Pode viver namoro, namoro aberto, casamento, ciúme, relações homoafetivas, triângulos amorosos e dúvidas sobre o próprio corpo. Também pode querer saber de um amor que já morreu. Certa vez, uma viúva me disse que rezava todos os dias pelo marido e queria apenas saber se ele estava bem no mundo espiritual.
O amor aos 80 ou 90 anos pode ser tão desafiador quanto em qualquer outra fase. Permanecem as dúvidas: “Ele gosta de mim?”, “Vai me ligar?”, “Quer ficar comigo seriamente?”, “Gosta do meu corpo e do meu jeito?”. A idade cronológica não elimina a possibilidade de se apaixonar.
Às vezes, o idoso procura o Tarot porque não tem com quem conversar dentro de casa. Os filhos e netos podem ter assumido o papel de cuidar de tudo e já não conseguem falar com ele de igual para igual. Em muitos atendimentos, o problema principal estava justamente na dificuldade de comunicação entre a pessoa idosa e seus familiares.
Por isso, vale perguntar como ela se entende com filhos, netos e demais familiares. Não para desviar a consulta daquilo que ela quer saber, mas para compreender onde a comunicação está falhando.
Um campo de estudo para os tarólogos
O atendimento de pessoas idosas não é melhor, pior ou necessariamente mais difícil. É um atendimento que exige compreensão, estudo e pesquisa. Também exige que o tarólogo saia de suas próprias opiniões e expectativas para entender a necessidade de quem está diante dele.
Muitas pessoas idosas poderiam se beneficiar de uma hora de atendimento para lidar consigo mesmos, enxergar futuro, encontrar novos propósitos e novas formas de viver. Talvez apareçam pouco nas consultas porque nem sequer sabem que podem procurar esse tipo de orientação.
Aliás, falando de futuro, eu quero enfatizar aqui isso: SIMMM! Futuro!!! Porque enquanto estamos vivos, há futuro a ser lido, independentemente de idade.
É importante que existam tarólogos preparados e até especializados nesse atendimento. A pessoa idosa paga por sua consulta, tem direito ao seu tempo e deve poder perguntar sobre os mesmos assuntos que qualquer outro consulente. Com o tarólogo, ele precisa encontrar uma conversa de igual para igual.
Foi por isso que escolhi falar de amor na terceira idade numa aula sobre Rei e Rainha de Copas. Essas duas figuras sonham em viver juntas e ser felizes para sempre. Copas guarda o passado e as memórias, mas não diz que o amor ficou preso ao que já aconteceu.
Amar é para sempre. Amar é para os que foram, para os que são e para os que serão. Sempre haverá espaço para o amor.
Rei e Rainha de Copas: resumo para consulta rápida
Não se esqueça disto: Rei e Rainha de Copas são expressões maduras do naipe, mas não correspondem automaticamente a pessoas idosas. A Rainha tem natureza receptiva e cuida dos sentimentos; o Rei tem natureza ativa, governa o oceano e responde por um campo de ação maior.
- Rainha de Copas: ama com profundidade, lembra, cuida daqueles que ama e volta sua força para dentro. Positiva, ouve e procura ajudar. Negativa, pode entrar no drama antes de ouvir o outro.
- Rei de Copas: age pela bondade, pela ternura, pela caridade e pela misericórdia. Positivo, procura compreender a pessoa inteira e agir pelo bem. Negativo, evita o confronto, não reage e deixa tudo para depois.
- Diferença principal: a Rainha olha para o oceano; o Rei está no oceano. O alcance da responsabilidade é maior no Rei, embora os dois expressem maturidade no universo de Copas.
- Amor na terceira idade: a pessoa idosa tem direito de amar, fazer sexo, sofrer, ser amada e perguntar sobre tudo isso. O tarólogo precisa ouvi-la sem infantilizá-la e sem substituir a pergunta dela pelas expectativas da família ou pelas próprias opiniões.
Regra de leitura: observe a pergunta, a posição e as demais cartas. Rei e Rainha de Copas possuem expressões positivas e negativas, e sua maturidade não deve ser confundida automaticamente com idade cronológica.
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Compreender as diferenças entre Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei exige mais do que associar cada carta a uma idade ou personagem. É preciso observar a polaridade, o campo de ação, o naipe e as possibilidades positivas e negativas de cada figura.
Em Tudo sobre a Corte do Tarot, eu ensino as 16 figuras da Corte como um sistema: Pajens, Cavaleiros, Rainhas e Reis, suas diferenças, seus naipes e como reconhecer essas cartas dentro de uma leitura.
Se você quer aprofundar esse estudo comigo, conheça o curso Tudo sobre a Corte do Tarot.
Referências
LYRA, Wayner. Rei e Rainha de Copas: Amor na Terceira Idade — Aquecimento IV Workshop. YouTube, 2021. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=imIjmeVBXgM. Acesso em: 8 set. 2026.